sábado, 27 de outubro de 2012

COMPARTILHANDO ESSE MOMENTO DE LEITURA


    
FELICIDADE CLANDESTINA
Clarice Lispector 
O primeiro  beijo
São Paulo, Ed. Ática, 1996

     Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
     Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
     Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
     Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
     Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
     Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
     No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caís nenhuma vez.
     Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
     E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
     Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem à tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
     Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
     E o pior para essa mulher não era  descoberto do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de usa filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas do Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: e você fica com o livro por quanto tempo quiser.
     Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
     Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
     Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho em mim. Eu era uma rainha delicada.
     Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
      Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.





                          

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

FOTOS DA FORMATURA PROERD

 MOMENTO DE JURAMENTO FORMATURA DO PROERD
 MOMENTO DE FOTOS 

 Profa. Lucélia e as alunas Ariane e Milena
 Iraneide Lopes, diretora da escola e as aluas Ariane, Milena e Clarysse
Aluna do 5º A - Vencedora da Redação PROERD

sábado, 20 de outubro de 2012

FORMATURA DOS ALUNOS DO 5º A NO PROGRAMA PROERD


 Maria Sonia Passos - Gerente de Departamento na SEDUC-Juazeiro-Ba e a aluna Ariane
                                                          Profa. Lucélia entre as alunas Yasmine e Thailla Marcella
                                                                 Alunos Paulo Ricardo e Clarisse Ribeiro
                                                                                     Alunas Adriana e Verônica 
                                  Turma de Formandos  com a Diretora da Escola Iraneide Lopes e Profa. Lucélia Ribeiro


                                                          Turma dos 5º A e B com Professoras Lucélia e Ivanilde
                                                                                Aluno Jefferson e sua mãe 

Profa. Lucélia, Instrutor do Curso, Edvaldo, aluna ganhadora da redação Milena e Ariane, representante na entrega do certificado PROERD


"ENSINA A CRIANÇA NO CAMINHO EM QUE DEVE ANDAR
E AINDA QUANDO FOR VELHO, NÃO DESVIARÁ DELE"
 

PROVÉRBIOS 22:06

O Programa Educacional de Resistência às Drogas – PROERD tem caráter social, preventivo e tem como objetivo primordial,   prevenir o uso de drogas, inserindo em nossas crianças, a importância e conscientização de desenvolver potencialidades para que alcancem de maneira correta e em sua plenitude sua realização pessoal e profissional numa sociedade que eles esperam ser  justa e segura para eles e seus familiares.
Este Programa consiste na união da Polícia Militar através de policiais instrutores, professores, pais e comunidade, bem como o apoio integral da secretaria dos municípios. O programa consiste em aulas educativas no espaço escolar que leva aos alunos, crianças e adolescentes, ensinamentos e acima de tudo, a conscientização para que eles aprendam o que são as drogas e as conseqüências que estas trazem aos que fazem uso delas, e assim dizer sempre NÂO a elas.
O Programa tem por objetivo principal a prevenção ao uso das drogas nas crianças em idade escolar, visto que são as mais atingidas por elas, entre crianças em idade escolar, o qual será desenvolvido através de: Fornecimento de informações aos estudantes sobre álcool, tabaco e drogas afins; ensinar aos estudantes, as formas de dizer não às drogas; ensinar os estudantes a tomar decisões e as conseqüências de seus comportamentos; desenvolver e trabalhar a auto-estima das crianças, ensinando-as a resistir às pressões que as envolvem.
Na Escola Municipal Ludgero de Souza Costa, os alunos dos 5º anos, tiveram como instrutor, o PM Edvaldo, que conduziu com eficácia as aulas, levando aos alunos a importância de conhecer os tipos de drogas, ao tempo em que levou o ensinamento de que jamais devem fazer uso delas.
Existem vários tipos de drogas, o álcool, tabaco, inclusive remédios. Algumas dessas drogas são permitidas o seu uso socialmente, desde que não abusivamente, isso não quer dizer que devemos usá-las, pois para isso temos o livre arbítrio para consumir ou usar aquilo que nos é conveniente. As drogas não permitidas são cocaína, craque, maconha, sendo que estamos vendo a cada dia nos espaços de comunicação que o craque está cada vez mais atingindo as populações de meninos e meninas que entram nesse mundo, muitas vezes considerado sem volta para muitas crianças do nosso país.
Diante do aumento do consumo de drogas proibidas ou não, entre crianças e adolescentes em idade escolar, torna-se necessário um trabalho efetivo e contínuo de prevenção de uso de drogas, entre os jovens que ainda não tiveram contato com tais substâncias.
O Programa em nossa escola foi de bastante relevância, pois vem nos ajudar enquanto gestão escolar (professores, coordenadores, diretores) e comunidade escolar a presenciar o desenvolvimento e o interesse dos alunos nas aulas e como eles reagem aos ensinamentos oferecidos pelo instrutor.
Agradecemos a todos que participaram desse momento de formatura que foi bastante dinâmico e feliz para todos os envolvidos nesse Programa.

Redação vencedora  da aluna Milena Soares – 5º A
                         
Ensinamentos da Vida
Eu aprendi que as drogas prejudicam a saúde, e provoca doenças nos pulmões. E o cigarro causa dificuldade respiratória e tontura, e se você fumar maconha uma vez você quer mais, e ai você pode contrair dor nos pulmões e no fígado. Eu gostaria que as pessoas que fumassem maconha, cigarro ou drogas parassem para que não fiquem doentes e estejam de bem com a vida. (redação digitada conforme escrita pela aluna);

Trechos de outras redações: (digitadas conforme escrita do aluno).

“O Professor Edvaldo é muito divertido de bem com a sua vida, porque ele não precisa usar as malditas drogas para viver feliz. Diga não as Drogas!...” (Verônica);

“O Proerd e um programa que explica o que são as drogas. Ensina o que é certo e o errado. Fala o que o craque pode provocar ao nosso corpo e que prejudica aos pulmões, traz doenças graves e problemas na família....” (Fábio);

“Eu aprendo que as drogas fazem mal para o corpo, principalmente, o pulmão. A cerveja também prejudica o nosso corpo... Proerd ensinou que também não devemos ter violência com nossos pais e amigos.....” (Clarisse);

“Eu gostaria que as pessoas parassem de fumar maconha que já tem crianças de 11 anos que cheira pó, fumam maconha e bate nos seus pais...”  ( Jeffersom).

Profa. Lucélia Ribeiro.



LUCÉLIA RIBEIRO

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Juazeiro, Bahia, Brazil